quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008




Retrato Divino


Antes de mais nada, gostaria de transmitir a vocês minhas sinceras desculpas pelo atraso da coluna, as razões já foram reveladas, então vamos adiante.
Depois desses dias de intensas festividades, tudo termina na quarta-feira de cinzas, dia no qual pode ser considerado como o verdadeiro 1º de janeiro para nós brasileiros.

Agora parece que tudo volta ao seu ritmo normal. Partindo daí, retomo minha rotina diária eis que me deparo com uma descrição profunda e emocionante da figura mais importante, e por sua vez intrigante, da história da humanidade: Jesus Cristo.

Jamais teria a audácia de discutir a fé de cada um, tampouco questionar tradições ou crenças históricas. Embora, a própria história mostre contradições até então pouco exploradas. Mas a minha real intenção é compartilhar com vocês este depoimento a fim que tirem suas próprias conclusões, ou façam suas devidas reflexões.

Ao ler esse relato confesso que mesmo não constando nele nenhuma revelação oculta em textos bíblicos, a forma que é exaltada seu significado é emocionante, talvez o mais equilibrado relato físico e espiritual de Jesus.

A carta foi escrita por um romano que servia o imperador na Judéia, uma testemunha de muitos comícios de Jesus Cristo, redigida obviamente antes de sua morte e endereçada ao imperador Tibério César.

Abaixo, o relato na integra:

"Sabendo que desejais conhecer quanto vou narrar-vos, escrevo-vos esta carta.

Nestes tempos apareceu na Judéia um homem de virtudes singulares, que se chama Jesus e que pelo povo é chamado de O Grande Profeta. Seus discípulos dizem ser ele o Filho de Deus.

Em verdade, ó César, cada dia dele se contam raros prodígios: ressuscita os mortos, cura todas as enfermidades e tem assombrado Jerusalém com sua extraordinária doutrina.

É de estatura elevada e nobre, e há tanta majestade em seu rosto que aqueles que o vêem são levados a amá-lo ou a temê-lo. Tem os cabelos cor de amêndoa madura, separados ao meio, os quais descem ondulados sobre os ombros, ao estilo dos nazarenos. Tem fronte larga e aspecto sereno. Sua pele é límpida e corada: o nariz e a boca são de admirável simetria.

A barba é espessa e tem a mesma cor dos cabelos. Suas mãos são finas e longas e seus braços de uma graça harmoniosa. Seus olhos são plácidos e brilhantes, e o que surpreende é que resplandem no seu rosto como raios do sol, de modo que ninguém pode olhar fixo o seu semblante, pois quando refulge, faz temer, e quando ameniza, faz chorar.

É alegre e grave ao mesmo tempo. É sóbrio e comedido em seus discursos. Condenando e repreendendo, é terrível; instruindo e exortando, sua palavra é doce e acariciadora. Ninguém o tem visto rir. Muitos, porém, o têm visto chorar. Anda com os pés descalços e com a cabeça descoberta.

Há quem o despreze vendo-o à distância, mas estando em sua presença não há quem não estremeça com profundo respeito. Dizem que este Jesus nunca fez mal a ninguém, mas, ao contrário, aqueles que o conhecem e com ele têm andado, afirmam ter dele recebido grandes benefícios e saúde.

Afirma-se que um homem como esse nunca foi visto por estas partes. Em verdade, segundo me dizem os hebreus, nunca se viram tão sábios conselhos e tão belas doutrinas. Há, todavia os que o acusam de ser contra a lei de Vossa Majestade, porquanto afirma que reis e escravos são iguais perante Deus. Vale, da Majestade Vossa, fidelíssimo e obrigadíssimo.

Ass. Públio Lêntulo, Presidente da Judéia".


Em tempo, por mais que não existam provas científicas da autenticidade deste documento, ele está arquivado e exposto em Jerusalém.

Thiago Saes

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Coluna de Quinta



Dias de quase folga


Você que acompanha periodicamente o blog deve ter ficado sabendo que estive alguns dias afastado, por uma excelente razão, férias. Dias de descanso no litoral, sim por que eu já estava de férias, mas férias sem viagem nada mais é que uma pessoa desocupada em casa, pelo menos é assim que eu me sentia. Então o bom mesmo é viajar.

Foram especificamente dez dias fora, nesse mês de Janeiro com cara de Abril. Nublado, abre sol perto do meio dia, depois fecha de novo e por aí vai.
A rotina de quem está de férias numa praia não é muito diferente para nenhum de nós. Sabe como é, carregar cadeira, guarda-sol, óculos, protetor e toda a parafernália que por mais que pareça exagero, é necessária.

Lembro que antigamente, quando sequer tinha completado uma década de existência era o inverso. Ia para praia, sempre tinha alguém que carregasse o baldinho, a bola, as bóias para não se afogar. Mas tudo bem, toda diversão e descanso tem um preço.

Eu particularmente consegui uma proeza até então não imaginada por mim mesmo: Acordar mais cedo nas férias do que durante o ano. O raciocínio lógico que se tem é que nas férias, se durma até mais tarde, não tendo horário para nada e tudo mais, e o pior, ou melhor, não sei, estou me adaptando a isso.
O bom desses dias assim, de descanso e de completo desligamento do mundo é que além de não ser necessário relógio, a pessoa pode beber todos os dias sem a preocupação de achar que está virando um alcoólatra vagabundo. É férias mesmo, que mal vai fazer.

Entretanto, mesmo em dias assim, sem quaisquer compromissos, é inevitável não fazer algumas observações que de certa forma tiram um pouco do colorido desses dias. Estive em mais de uma praia e acreditem, não há uma que fuja a regra. Não há lugar que se vá que não tenha um ou outro, se achando o gostoso, com um som ligado a toda a altura, incomodando todos em volta, importunando a maioria com o funk da hora ou até mesmo os Calypsos da vida. Nada contra o gênero, cada um no seu estilo, agora não me obriga a ouvir o que eu não quero.

Mas não só a ausência do bom senso humano chama a atenção quando se vai à praia. A natureza permanece caprichando com belas ondas, água clarinha e morna, pôr do sol, no entanto a deficiência na infra-estrutura que rodeia tudo isso é flagrante. Faltam lixeiras a beira mar, o policiamento é escasso, em cada sinaleira há um aglomerado de pedintes, ambulantes por toda a parte, vendendo produtos pirateados e assim por diante.

Ou seja, a praia com cada vez mais cara de cidade. Pior que isso só a presença dos argentinos, ah esses argentinos...




Thiago Saes

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Coluna de Quinta



Evo Morales e Lula têm algo em comum


“Paciência, paciência e paciência” foi o conselho que o presidente Lula deu aos bolivianos, em público, ao anunciar mais investimentos da Petrobrás no país vizinho. Talvez o conselho devesse ter sido dado aos que formulam as relações do Brasil com a Bolívia.

Governo e oposição concordam em dizer, na Bolívia, que o país está à beira de um perigoso conflito. A causa principal é o próprio presidente Evo Morales. Ele ensaiou o que chama de “refundação” da Bolívia com base numa constituição que mandou aprovar sem participação da oposição.

Entre outros itens bastante polêmicos, a constituição boliviana concede a populações indígenas e sua justiça comunitária o mesmo status de tribunais (com juízes que serão eleitos, em vez de apontados pelo Congresso). O documento, cuja legalidade está sendo contestada pela oposição, ajuda a dividir ainda mais um país ameaçado de rachar ao meio.

Em parte é responsabilidade direta de Evo Morales a atitude de muitos de seus seguidores, que qualificam qualquer forma de oposição ao presidente de conspiração emanada da “oligarquia branca”. O perigo de uma partição do país é real: as regiões mais prósperas e dinâmicas da Bolívia são as que não querem aceitar a constituição empurrada goela abaixo.

Quando Lula disse, na posse de Cristina Kirchner, que Evo Morales era “a coisa mais extraordinária” que havia acontecido na América Latina, ficou uma pergunta no ar. O presidente brasileiro estava se referindo a um fenômeno ou a um método? Ambos – o fenômeno Morales e seus métodos de governar – nada têm de novo nem de extraordinário na América Latina.

Evo Morales e Lula têm algo em comum, uma espécie de cacoete que se manifesta quando estão juntos: o velho hábito sindicalista de resolver coisas na base da conversa pessoal. O “extraordinário” Evo encontra-se com o “irmão mais velho” Lula e, no gogó, no fio do bigode, no tapa nas costas, resolvem que as relações entre dois países vão caminhar assim – “em resposta aos que queriam distanciamento”, como diz Lula.
Os erros de política externa brasileira em relação à Bolívia repetem-se com previsível monotonia. Está tudo nos manuais básicos de diplomacia: não interferir nos assuntos políticos do vizinho (que Lula fez ao endossar Morales antes das eleições); não tolerar quebras de contratos (que Lula obrigou a Petrobrás a fazer); não parecer apoiar um lado num conflito (que Lula obviamente faz com o uso político de estatais como a Petrobrás).

É bem ilustrativa a maneira como age a presidente do Chile (uma socialista com excelentes credenciais de resistência a uma ditadura), Michele Bachelet. A Bolívia tem com o Chile um velho e perigoso contencioso, que é a saída para o mar. Bachelet foi capaz de dar a Morales o tratamento que ele merece: cordial, formal, pragmático e calibrado na justa medida para não prometer nada que não tenha uma contrapartida.

O Chile não parece sofrer diante da Bolívia do mesmo complexo de culpa que o Brasil deixa transparecer – embora, do ponto de vista histórico (que Lula gosta de citar fora de contexto) os chilenos pudessem ser carimbados como “culpados” pelo fato dos bolivianos não terem direito ao mar. O governo brasileiro acha que a Petrobras é “culpada” pelo fato de ter investido e ganhado dinheiro na Bolívia? Que os plantadores brasileiros de soja na Bolívia estão “explorando” o país vizinho?

Outro jeito (errado) do presidente brasileiro ver o que acontece com o vizinho foi a comparação que fez, em La Paz, com a ajuda dada pela então Comunidade Européia a países como Portugal, Espanha e Grécia. Naquela época, uns trinta anos atrás, o dinheiro de Bruxelas (bombeado, sobretudo, por França e Alemanha) foi dado a Lisboa, Madri e Atenas sob condições bastante rígidas – sobretudo condições políticas.

Exigiu-se a manutenção de regimes democráticos pluralistas e abertos, o respeito total e completo a contratos e – no caso específico da Espanha – a entrada no pacto militar ocidental, a Otan (que os socialistas espanhóis fizeram). Se a história fosse lida em seu contexto por quem assessora Lula, as relações com a Bolívia poderiam ser diferentes.

Ninguém faz política externa entregando coisas de graça, ou sem contrapartida. Exigir respeito não é se comportar mal, nem prejudicar países vizinhos.


William Wack

Conheça o blog do William Waack

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Coluna de Quinta



Filhos da escravidão


Uma amiga minha caiu no golpe do seqüestro por telefone. Mulher inteligente, bem informada, mas caiu. É que a filha dela já havia sido seqüestrada antes. Seqüestro mesmo, com arma na cabeça e tudo mais.

Então, quando aquela voz chorosa de mulher ligou implorando por socorro, ela desabou. Acreditou na hora. Depois, o bandido foi monitorando-a por telefone. Tinha absoluto domínio psicológico sobre ela, conduziu-a sob seu poder até o banco, onde o gerente desconfiou. O que havia acontecido? Por que ela chorava? O gerente salvou-lhe do desfalque com uma única ligação para a filha, que estava no recôndito do lar, bela e tranqüila, ouvindo um rock suave na Itapema.

Encerrado em uma cela de presídio, a três Estados de distância, por telefone, um sujeito desses interpreta vozes diferentes e mantém uma cidadã com terceiro grau completo mesmerizada durante duas horas. Esse mesmo tipo, dê-lhe uma colherinha de chá e ele cava um túnel sob a cadeia, uma obra de engenharia perfeita, com vigamento, iluminação e sistema de ventilação, e por ela escapa para a liberdade. Nunca alguém ouviu falar de um túnel de presidiários que desabasse, de um fugitivo que morresse soterrado em sua obra, nunca.

São homens admiráveis, de criatividade e iniciativa. Por que estão a serviço do crime, e não produzindo para a sociedade? Por que não são eles os empreendedores do Brasil?

Durante 300 anos, o empreendedorismo, mais do que inibido, era proibido na colônia. Os portugueses vinham cá, extraíam a riqueza que podiam e voltavam em suas caravelas para gozá-la no ultramar. Depois de o Brasil ter sido fundado como nação, em 1808, o Estado continuou ocupado pela classe dirigente portuguesa, que vivia do escravagismo e que, por isso mesmo, considerava o trabalho um ultraje. O Estado servia para que a elite se servisse dele.

O escravo e o liberto, já a maioria da população, nada podiam esperar do Estado, viviam de expedientes, aprenderam que à margem da sociedade tinham mais chances do que incluídos nela. O imigrante europeu, esse, sim, com tradição empreendedora, também se desenvolvia ao largo do Estado, e apesar do Estado, abandonado que foi nos ermos do continente, em comunidades onde reproduzia seu país de origem até na língua.

E assim foi, mesmo depois da República, mesmo depois de a nobreza lusitana ter se apartado do poder. O Estado brasileiro sempre esteve tomado por um grupo, sempre atendeu a interesses de uma pequena parcela da fidalguia nacional, fossem os usineiros do Nordeste, fossem os produtores rurais de São Paulo e Minas, fosse a classe industrial forjada pelos imigrantes europeus.

Enquanto isso, os descendentes dos escravos continuavam pendurados nas franjas da sociedade, sobrevivendo de artifícios. É isso que o cidadão brasileiro aprendeu desde sempre: que viver ao arrepio da lei é mais lucrativo e é mais fácil. E é assim que se chega ao golpista por telefone, ao engenheiro de túnel de presídio. Ele exercita sua criatividade e sua iniciativa à parte do Estado, porque o Estado não lhe é atraente.

É essa criatividade, é essa iniciativa que teriam de ser aproveitadas pelo Estado brasileiro, um Estado que tem só 18 anos de legitimidade, que só passou a representar de fato o cidadão comum depois de 1989. Muito pouco tempo, claro que é. Mas talvez o suficiente para se aprender que só com Educação é que o Brasil um dia poderá contar com o talento, a força e a imaginação dos filhos da escravidão.


David Coimbra

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Coluna de Quinta



Futebol Arte uma ova


Robinho pega a bola na ponta direita, pára, olha o marcador, vira para um lado, vira para outro e mesmo com uma centena de opções diante de si sai a pedalar. Pedala, pedala, pedala e pedala freneticamente em movimentos redundantes e dispensáveis, num exemplo clássico do futebol “arte” praticado pelo jogador brasileiro.

Não há nada mais irritante do que um jogador assim, metido à malabarista, estilo Denílson, lembram dele? De jogador não tem nada. Ainda quando vestia a camisa da Seleção Brasileira era empurrado aos berros pelo intrépido Galvão Bueno: “Pra cima deles!”, “Pra dentro deles Denílson!” (eles no caso, os fortes e viris zagueiros e/ou laterais, que degustavam deliciosamente de suas canelas a cada investida). Mas no caso do Denílson é só o que sempre soube fazer... Frescura com a bola.

Esse futebol faceiro, cheio de ginga, alegre, estilo sambista, nunca fez minha cabeça. Os mais antigos e românticos que me perdoem, inclusive na maioria das vezes dou ouvidos aos mais velhos, mas nessa questão futebolística permitam-me discordar. Essa faceirice toda é verdadeiramente o anti-futebol.

Jogadores como os que se reverenciam no Brasil só sabem pegar a bola e brincar, são exibicionistas, não jogadores. Deixam a bola sob a cabeça, passam por trás das costas, giram, pulam, rodopiam, mas efetivamente pouco colaboram.
Não marcam, pois acham feio marcar, não sujam o calção, por que acreditam ser craques, e craques dentro desse conceito não dá carrinho.

Pois futebol não é arte, é força. A alegria do futebol não é uma pedalada, um chapéu ou uma caneta no adversário. A essência verdadeira do futebol está no carrinho, na camisa rasgada, na vitória suada por um gol de diferença, não na goleada sem graça cheia de frescura com toquezinhos de calcanhar e de letra.
Está em jogar com volantes fortes e marcadores, não com três atacantes. Em jogar pelo empate quando necessário, na defensiva e de preferência só com um atacante. Se for alto, cabecear bem e principalmente usar bem os cotovelos, melhor ainda. Tudo pelo resultado.

Isso é o futebol, nada mais que uma metáfora da vida. A vida não é um tapete vermelho a nossa disposição, é um campo esburacado que temos que percorrer e superar cada obstáculo. Uma batalha árdua, dura, difícil, cheia de sofrimento, que sem esforço jamais alcançaremos nossos objetivos. Afinal, a forma com que se encara cada lance é o que irá diferenciar os vencedores dos perdedores.


Thiago Saes

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Coluna de Quinta




Déjà Vu


Passaram-se dias de festas, tudo ficou meio devagar, alguns diminuíram a carga horária de trabalho, outros mais privilegiados puderam tirar o dia todo de folga, e assim aproveitaram o feriadão para fazer uma espécie de mini-férias. Tudo absolutamente normal nessas semanas de festejos de Natal e Ano Novo.

É uma época de visitar parentes, juntar os amigos, dormir tarde, acordar perto do meio-dia, desligar o celular, beber uma cerveja gelada, ir à praia, viajar. Mas é nessa hora que alguns não vivem os últimos dias do ano, e sim os últimos dias de sua vida.

Acompanhei barbarizado o índice de acidentes no trânsito neste período de Natal-Ano Novo. A cada noticiário que eu despretensiosamente assisti nesses últimos dias tive invariavelmente a impressão de estar tendo um Déjà Vu. Aos que desconhecem o termo, trata-se daquela estranha sensação que todos temos de já ter vivido uma determinada situação. De já ter estado naquele lugar, já ter visto aquelas pessoas, ou seja, uma cena que se repete.

Pois é isso que vejo todo fim de ano; recordes de mortes em acidentes de trânsitos. Famílias que são assoladas por uma notícia trágica, em meio a tantos foguetes, champanhes e comemorações.
Vão se as vidas de filhos, pais, avós, tios, sobrinhos, primos. Famílias que são mutiladas impiedosamente. Vidas que uma oferenda jogada no mar não trará de volta, que o pedido na hora da virada também não. E ao invés de se vestir o tradicional branco pela paz, veste-se o preto, do luto, da dor e da indignação.

Falo da indignação por ser essa à reação de muitos familiares que perdem seus entes queridos em tragédias como essas. A combinação álcool-direção exaustivamente já foi falada que não dá certo. Não há quem desconheça, entretanto há (e muito) quem a ignore. O trânsito hoje está repleto de motoristas que estão sempre com pressa, de pessoas mal-educadas, ignorantes, e o pior despreparadas.

Os mais jovens acham que sabem dirigir, sentem-se verdadeiros Schumachers, acreditam que por terem uma carteira de habilitação são profissionais, que sabem e podem tudo. Triste engano.
São inexperientes, pagam caro por suas carteiras de motoristas e são mal treinados, fazem horas-aula em carros 1.0, e em casa tem carros 1.8 ou 2.0. Acabam tendo mais aulas teóricas do que práticas e saem “cru” às ruas, colocando a sua vida e a dos outros motoristas e pedestres em risco.

Por isso, não basta só conscientizar. É preciso treinar, supervisionar e principalmente educar. Multar ajuda, mas não resolve. O motorista tem que estar apto a dirigir um carro veloz, num transito caótico em estradas mal conservadas. Afinal, a vida de cada um vale mais que um brinde, que um copo de cerveja, que uma noite de festa.

Quem sabe assim muitas tragédias sejam evitadas, quem sabe...


Thiago Saes

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Coluna de Quinta

Nessa última semana de 2007 a Coluna de Quinta tira folga.

Dia de deitar na rede, descansar, tomar uma águinha de côco (???), entre todas as outras mordomias que este modesto autor merece.

Para os leitores mais recentes do CP, convidamos todos para que dêem uma conferida no que foi feito neste espaço até hoje.

Voltaremos em 2008, abordando assuntos ainda mais pertinentes (ou não) e com entusiasmo renovado.

Feliz Ano Novo e até lá!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Coluna de Quinta




Nosso Desafio

Então é Natal. Época de profundas reflexões. Ficamos naturalmente mais emotivos, caridosos, sensíveis. Sentimos uma necessidade inexplicável de ajudar os outros, tudo passageiro, entretanto fundamental.
Hora de revirar o guarda-roupa, atrás de coisas que nem lembramos mais, coisas que foram sendo deixadas de lado ao longo do ano que passou. Temos a brilhante percepção do que é desnecessário para nós, é essencial para os outros. Os contrastes do mundo que vivemos surgem com mais clareza aos nossos olhos.

A semana de Natal é a melhor do ano, cai o número de assaltos, seqüestros, as notícias na TV são mais amenas e o nosso dia acaba ficando mais leve. As pessoas ficam mais educadas, pacientes e atenciosas. Até aquelas que nem olham para você durante os mais de 350 dias que se passaram agora te cumprimentam com um sorriso brilhante na primeira hora da manhã, abrem a porta do elevador para você embarcar e até arriscam um assunto a fim de evitar um silêncio constrangedor. Tudo passageiro.

Somos incluídos em vários amigos secretos, em muitos casos não temos o mínimo grau de afinidade com nosso “amigo”, mas lá vamos nós enfrentar um calor infernal de fim de ano em filas intermináveis, afinal todo brasileiro que se preze tem que deixar para fazer as compras na última hora.
Tudo por aquela lembrançinha com valor mínimo previamente estipulado e a tradicional lista de presentes para a família. Mas tudo bem, é Natal e o 13º permite essas extravagâncias.

Trocamos presentes, refletimos, planejamos dias melhores, prometemos sermos mais tolerantes, lamentamos as desigualdades que a data evidencia, mas após o peru voltamos ao nosso normal. Ficam os presentes, as lembranças e as fotografias.

Talvez o grande problema do Natal seja esse. Essa sagrada data não tem o poder de manter esse espírito natalino durante o ano todo, aos poucos voltam às caras fechadas, a impaciência, e até o flanelinha do semáforo - que antes comovia - volta a não ser percebido.

Por isso, manter ao menos a metade desse espírito durante o ano todo seja o grande desafio do Natal. Não é difícil, já faria uma diferença enorme ao nosso dia.
Fazer caridade com mais freqüência, dar Bom Dia para o vizinho, dedicar uma atenção freqüente para a família, presentear alguém desprovido de qualquer obrigação, tomado somente pela satisfação de agradar a pessoa.
Enfim, fazer com que o Natal não sejam dias de atitudes passageiras, e sim uma data onde celebramos o que somos, não o que pretendemos ser. Esse é o nosso grande desafio.

Feliz Natal!


Thiago Saes

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Coluna de Quinta



Política do Interesse

Estive pensando se falaria ou não aqui sobre dois assuntos que ficaram em clara evidência nessas duas últimas semanas. Ambos óbvios, porém relevantes, que coincidentemente envolviam votações.
Primeiro deles era sobre Hugo Chávez, após a derrota no plebiscito que propunha uma nova constituição em seu país. No entanto cheguei à conclusão que não, afinal o que falta dizer de Chávez? Um cidadão que chegou ao poder e teve lampejos de revolucionário, mas que acabou se mostrando um agitador, mal-educado e aspirante a ditador. Não, vamos dar um tempo de Chávez.

Voltemos à atenção a nossa realidade, mais especificamente ao nosso bolso, ou seja, CPMF.
Já é madrugada de quarta para quinta, e aqui estou diante de uma caneca de café para me manter acordado aguardando o resultado da votação no Senado sobre a prorrogação da cobrança. Nada como estar de férias e ter tempo de sobra para isso.

Após intermináveis argumentações e até bate-boca entre Vossas Excelências eis que a oposição conseguiu seu maior objetivo, a prorrogação foi rejeitada, marcando a maior derrota desse cada vez mais frágil Governo Lula.

Gostaria de saber qual será a postura do Governo a partir de agora. Após essa derrota, o Planalto Central mostra um enfraquecimento preocupante em sua base aliada, que além de não conseguir nem a sua totalidade de votos, não foi capaz de nas duas últimas conseguir um voto sequer de outros partidos. A impressão que se tem é que cada vez mais está cada um por si.

A ressaca após episódios como esse também ajudam a fazer algumas observações. Se não vejamos: Virá Lula publicamente reconhecer a derrota? Algo me diz que vai sobrar para a Dilma, de novo. Ou então o Governo fará uso de seu direito de em Janeiro criar uma nova CPMF? Sob o risco de aumentar o desgaste com a opinião pública e de uma nova derrota, não acredito.

Está vitória da oposição me deixaria feliz se eu acreditasse nela, mas não. Essa mesma corja tucana que hoje esbraveja contra a CPMF já esbravejou a favor, então para que me iludir com tal postura, prefiro me ater ao simples fato que essa taxa foi momentaneamente abolida e só.

É assim que vejo política há algum tempo, uma vitória por vez, independente de quem lutou por ela. Quem votou a favor de um interesse nosso hoje, votará contra amanhã, dependerá tão somente do lado que estiver.
Por isso, defendo que tenhamos cada vez menos comprometimento com Direita e Esquerda no Brasil, não nos leva a nada efetivamente, tratam-se de meras bandeiras esquecidas dentro de partidos falídos moralmente. Suas ideologias sim, essas eternamente nos darão o discernimento do que é melhor para nós.
Disso, não podemos abrir mão.


Thiago Saes

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Coluna de Quinta



Estreitando as relações


Para começar a coluna de hoje eu preciso contar para você, caro leitor deste modesto espaço, um fato que me chamou a atenção há alguns dias atrás e me levou a falar sobre o assunto.

Estava eu sentado no ônibus fazendo meu percurso diário para a faculdade quando entra um rapaz, com os seus 17 anos mais ou menos, típico adolescente, com um projeto de barba no rosto, mochila nas costas, essas coisas. O ônibus estava vazio e eu, observador que sou, percebi que ele encontrou uma conhecida, uma menina também já avistada por mim logo que subi no veículo. Ambos se cumprimentaram, sentaram lado a lado e começaram a conversar.

Acredito que não convivem muito um com o outro, percebi um certo acanhamento entre eles, mas de qualquer forma, começaram a conversar. Nesse momento você deve estar se perguntando onde eu quero chegar com uma história entre duas pessoas que se encontram num ônibus? Pois bem, mais ou menos dois minutos depois acabou o assunto, provavelmente já haviam perguntado como o outro estava, o que andava fazendo da vida e só, não tinham mais o que dizer... Adivinha o que fizeram? Ligaram ambos seus mp3 player e permaneceram lado a lado, mudos, friamente ouvindo cada um a sua música até o fim do trajeto.

E é exatamente nesse ponto que eu queria chegar, nesses pequenos detalhes do nosso cotidiano percebo um certo distanciamento entre as pessoas, pouco nos falamos um com o outro, ninguém mais bate na porta da sua casa para saber como você está, para te dar parabéns pelo seu aniversário, feliz natal e etc. Há os que ainda o fazem, no entanto é cada vez mais raro, e normalmente só é feito por pessoas de mais idade.

Hoje, é mais fácil e cômodo mandar mensagem via celular, ou se comunicar via orkut/msn, tudo instantâneo e prático. Não sou contra a essas ferramentas que a tecnologia nos proporciona, os benefícios no nosso dia-a-dia são notáveis, entretanto me chama a atenção o quanto algumas coisas vão sendo perdidas.

No caso desses dois jovens, por exemplo, talvez se conhecessem pouco, mas por que não puxar um assunto qualquer, falarem da vida, do Brasil, do Corinthians na Segunda Divisão, da novela das 8 que seja, mas não desperdiçar um bom diálogo, uma troca de idéia com uma pessoa que por mais distante que seja pode servir de bom proveito, pode nos dar uma visão até então que nós não tínhamos sobre determinado assunto.

A desculpa nesses casos é sempre a mesma, a correria do dia-a- dia (o que é estranho, pois o dia e as horas se passam na mesma velocidade desde que o mundo é mundo), ou que sempre estamos atrasados para alguma coisa, ou sem tempo algum; o que faz com que as pessoas estejam cada vez mais solitárias, ironicamente, no meio de uma multidão.

Portanto, não boicotem o celular, o mp3, e todos os outros mp`s que estão por vir, não é necessário, adaptemos essas ferramentas ao nosso dia, sem que prejudiquem as nossas relações, afinal não há tecnologia que supere a criação humana, e as coisas mais importantes da vida não há máquina alguma que nos possa ensinar.

Thiago Saes

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Coluna de Quinta



Começar do Zero

Estarrecedora a notícia divulgada nesta semana de uma menina de 15 anos detida no Pará numa cela com mais vinte homens. Uma jovem – ainda adolescente – que passou por todo tipo de humilhação, seja ela moral ou física, que uma pessoa pode sofrer. Uma dívida com a sociedade, no caso dela furto, paga em um mês da maneira mais cruel e desprezível que podemos tolerar.

Episódios como dessa adolescente não chocam mais, já fazem parte do cotidiano brasileiro, ou alguém esqueceu do menino morto no Rio arrastado preso ao cinto de segurança do carro em meio a um assalto? E do índio queimado por jovens em Brasília há alguns anos atrás, lembram? Em alguns outros não há morte, porém o cidadão também é levado à condição mais execrável que se pode imaginar, como a doméstica espancada por meia dúzia de playboys também no Rio quando voltava para sua casa.

Fatos que me fazem pensar que talvez não haja mais solução para o nosso estimado país. Acredite, não é exagero muito menos pessimismo da minha parte. Talvez a saída seja parar tudo, começar do zero. É tanta impunidade, tanto roubo, tanta falta de respeito pela vida, pela natureza. Nosso problema é estrutural, as dificuldades se misturam e as soluções se tornam cada vez mais inatingíveis.

O caso dessa menina paraense é só mais um, em poucos dias surgirão outros e outros que também ocuparão as manchetes, mas que não servirão para nada, só para que tristemente tenhamos que assistir embasbacados ao ponto que chegamos.

Nosso senso de indignação está esgotado, estamos acostumados com essa realidade e não temos mais a mesma perspectiva de antes. A sociedade está adaptada ao país que vive. Em ano de eleições passam-se alguns meses de esperança que morre ao término do processo.
A esperança do brasileiro por dias melhores tem prazo de validade, só dura até a próxima decepção.


Thiago Saes

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Coluna de Quinta




Novos Mercados



A Google é hoje a empresa mais poderosa da internet, mais completa do mercado, pois dependendo do ângulo que você a vê poderá enxergar ela como uma empresa de software, hardware, serviços, mídia, telefonia e outros. Quase todos os negócios têm motivos para ver no Google algum tipo de ameaça. Mas um desses negócios, a telefonia, agora parece ter motivos mais concretos. Crescem no Vale do Silício os rumores de que o Google está para lançar um novo celular, capaz de revolucionar nossa relação com o telefone.
A idéia do Google é oferecer um celular para falar, navegar na internet, mandar torpedos, trocar fotos, tudo de graça.
A operadora apenas exigiria que você recebesse anúncios publicitários (você não gostas dos AdSenses? Pois vá se acostumando) transmitidos para o aparelhinho. O nome desse celular é Gphone (esse nome me lembra alguma coisa). Além de integrar todos os serviços que o Google oferece – exemplos, Gmail e o programa de bate-papo Gtalk -, ele teria um localizador embutido funcionando com o Google Maps, o site de mapas da empresa. O telefone poderia apontar sua localização no mundo para seus amigos do Orkut, ou mostrar uma promoção de roupas quando você passar por perto de sua loja preferida. O Gphone poderá revolucionar o mercado de telefonia celular, isso se realmente chegar ao mercado.
Até agora ninguém do Google se pronunciou publicamente, mas os sinais que a empresa transmite deixam claro a sua intenção. O primeiro deles surgiu por causa de um leilão do canal de transmissão. Como esse canal será substituído por transmissão digital em 2009, haverá uma licitação para distribuir as concessões dessa banda de transmissão de TV em janeiro de 2008. O Google já ofereceu US$ 4,6 bilhões no leilão.
Segundo entendidos, o objetivo é usar a antiga freqüência da TV para montar uma moderna rede sem fio, cujo sinal cobriria todo o Estados Unidos e que seria acessado pelo Gphone. Para sustentar financeiramente esse serviço, o Google usaria seu maior trunfo: a propaganda dirigida a quem acessasse a rede. Como o Gmail, ele seria oferecido sem custos aos usuários. Porém, filtraria suas conversas em busca de palavras-chave que selecionasse a propaganda mais adequada para o cliente.
Afinal, você perderia sua privacidade para falar ao telefone sem gastar? Eu não tenho nada a esconder. Mas se este serviço fosse oferecido em Brasília, só chegariam propagandas de lavanderias, pomares (leia-se plantações de laranjas), Zorba e por aí vai.
Bom, data e hora para ser lançado não tem, várias datas já foram cogitadas, porém nenhuma se concretizou. Mas é um dos assuntos mais falados na internet, principalmente nos EUA, onde todos aguardam ansiosamente.
No Brasil, se chegar, irá demorar um bom tempo, visto que primeiro deverá chegar nos Estados Unidos, posteriormente na Europa, Ásia, para somente depois em outras localidades. Mas certamente que quando chegar será o objeto de desejo dos fanáticos por tecnologia (Tecnonerd), e não mais o iPhone, da Apple.
Mas tudo isso, se ele realmente chegar a existir.


Guilherme Lautenschläger

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Coluna de Quinta



O Caminho das Mulheres


Elas eram coadjuvantes. Complementos da vida masculina, tratadas como objeto e tinham como principal atribuição satisfazer as necessidades do homem da casa. E quando se fala em necessidades podemos nos referir das mais íntimas as mais supérfluas. De um afeto caridoso entre quatro paredes, à incrédula tarefa de massagear os pés do chefe do lar após um incansável dia de trabalho.

Com o passar dos anos as barreiras se romperam, felizmente deram adeus às saias longas que nos davam à mera visão de seus tornozelos. Os pomposos trajes perderam volume, com isso foram poupados metros de tecido, para o deleite de todos. Tempos difíceis aqueles.

Hoje elas votam, trabalham fora, em muitos casos contam com o auxílio de uma empregada, no entanto não abrem mão das atividades da casa. Multiplicam-se. Casam, se divorciam, e voltam a casar. Postulam cargos maiores, brigam por direitos iguais aos homens no mercado de trabalho, buscam o limite da independência.

Liberdade conquistada que expandiu suas opções. Levaram-nas a cargos maiores, tornaram-se líderes. No Brasil, foram eleitas governadoras, ocupam cargos de peso no governo federal, e há quem aponte Dilma Roussef como sucessora do atual Presidente Lula.

Fenômenos femininos comprovado na vizinha Argentina, país que já foi de Evita, e que acaba de eleger a atual primeira-dama Cristina Kirchner. Fato que já pode ser visto mais longe, na Alemanha, com a escolha de Angela Merkel como Primeira-ministra. E muito em breve pode atingir também o país mais poderoso do mundo, com a escolha da Senhorita Hillary Clinton (aquela que perdoou) como sucessora daquele que nem vale a pena citar o nome.

Por tudo isso, as responsabilidades aumentaram, paradigmas foram quebrados e a expectativa encima delas também. O nível de exigência é incomparável. As donas-de-casa de ontem são detentoras da esperança de muitos hoje. E assim, como os homens de tempos atrás, que sabiam que não iriam se decepcionar com o que enxergariam acima dos tornozelos, eu hoje, não vejo razões para não acreditar que elas são capazes.


Thiago Saes

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Coluna de Quinta



Festa de muitos... Farra de poucos...


Recebemos na última terça-feira a confirmação do que todos já imaginavam, o Brasil será o país sede da Copa do Mundo de 2014. Confesso que mesmo sabendo o conteúdo do envelope aberto por Joseph Blatter tive um segundo de expectativa, afinal vai que desse alguma zebra e o Brasil como candidato único fosse rejeitado? Tratando-se da FIFA e dos interesses que a cercam não me surpreenderia, no entanto ocorreu tudo conforme o esperado.

O discurso após a vitória não teve surpresas, com exceção do Presidente Lula, que discursou mais como torcedor do que como Chefe de Estado. Nada grave, o improviso na maioria das vezes passa uma transparência maior do que em discursos previamente escritos, prática não muito utilizada pelo Presidente nesses quase cinco anos de mandato.

Os demais me pareceram muito burocráticos. Dunga falando o óbvio, o baixinho Romário falou tão baixinho que quase não ouvi, só um “Orgulho de ser brasileiro” e olhe lá, Ricardo Teixeira mal-humorado como sempre, e o Paulo Coelho, bom esse com todo respeito que merece não sei o que fazia por lá. E o Pelé? Não foi e nem fez falta, “entende”.

Bom, mas antes mesmo de digerir a idéia de uma Copa por aqui, um detalhe me chamou a atenção, todos os presidenciáveis até 2014 (José Serra, Marta Suplicy, Sérgio Cabral e Aécio Neves) fizeram-se presentes na cerimônia em Zurique. Os motivos? Meramente políticos, ou alguém acredita que algum desses estava lá como amante do futebol brasileiro? Nada. Muita verba está pra rolar e uma vitrine enorme para quem ainda não atingiu a visibilidade que entende merecer.

Agora assumimos uma dívida de no mínimo 10 bilhões de dólares. Valor que, como cidadão brasileiro, soa de forma revoltante aos meus ouvidos. A lista de prioridades ocuparia todo o restante deste modesto espaço, porém analisar a realização de uma Copa no Brasil somente por esse aspecto talvez seja pessimismo demais. Mesmo que nos custe mais que o planejado, os ganhos em infra-estrutura serão notáveis, principalmente em transporte, saúde e rede hoteleira. A reformulação de hospitais nas cidades sedes, além da utilização de ferrovias serão benefícios que o Brasil desfrutará mesmo após o Mundial. E mais, quem como verdadeiramente amante do futebol, cansado de ouvir sempre a mesma história de 50 no Maracanã, não está contente de que 64 anos depois o Brasil verá uma Copa do Mundo de perto? Acredito que a maioria.

A festa está marcada, inverno de 2014. Até lá quem sabe as coisas não estejam melhores por aqui, tempo não nos falta.

Thiago Saes